Empregos verdes
Como a emergência climática está redefinindo carreiras
Em um minuto:
- Os empregos verdes ainda representam uma parcela pequena do mercado de trabalho brasileiro, mas têm forte potencial de crescimento. Em 2025, cerca de 2,8% da população empregada ocupava cargos classificados como verdes; estudo da Agenda Pública e da Fundação Grupo Volkswagen estima a criação de 7 milhões de empregos verdes até 2030 e 15 milhões até 2050, caso o país avance na transição ecológica.
- A transição para uma economia de baixo carbono deve transformar profissões novas e tradicionais. Áreas como energias renováveis, economia circular, bioeconomia, mobilidade de baixa emissão, mercados de carbono, construção verde, agricultura regenerativa, gestão de resíduos e reúso de água e esgoto concentram boa parte do potencial de empregabilidade no país.
- A demanda por habilidades verdes cresce mais rápido do que a formação de profissionais qualificados. Segundo o “LinkedIn Green Skills Report 2025”, entre 2021 e 2025, as contratações para funções verdes avançaram quase duas vezes mais rápido do que o número de profissionais que declaravam ter essas competências, reforçando a necessidade de capacitação, atualização curricular e políticas públicas de incentivo.
À medida que a economia global avança para modelos de baixo carbono, novas ocupações surgem, profissões tradicionais ganham especializações e a sustentabilidade se torna parte da estratégia produtiva. No mercado de trabalho, essa transformação se materializa por meio do crescimento dos “empregos verdes”, que abarcam atividades voltadas à redução de impactos ambientais, ao uso eficiente de recursos e à construção de cadeias produtivas mais resilientes diante da emergência climática.
No Brasil, essas atividades ainda são realizadas por uma parcela relativamente pequena da força de trabalho. Em 2025, cerca de 2,8% da população empregada ocupava cargos classificados como “verdes”. A tendência, porém, é de crescimento. Um estudo da Agenda Pública, em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen, estima que o país pode criar 7 milhões de empregos verdes até 2030 e 15 milhões até 2050, caso avance na transição para uma economia de baixo carbono. As áreas com maior potencial de empregabilidade incluem energias renováveis, economia circular, bioeconomia, transporte e logística de baixa emissão, mercados de carbono, construção verde, restauração ecológica, agricultura regenerativa, produção florestal sustentável, veículos elétricos, gestão de resíduos, reciclagem e reúso de água e esgoto.
Apesar da possibilidade de surgimento de novas profissões, parte da transformação associada aos “empregos verdes” ocorrerá dentro de ocupações já conhecidas. Por exemplo, mecânicos podem passar a atuar na manutenção de veículos elétricos, enquanto economistas poderão incorporar ao seu escopo de atuação temas como créditos de carbono e análise de impactos ambientais em cadeias produtivas. Profissionais como engenheiros, analistas de dados, gestores de resíduos, técnicos industriais e especialistas em sustentabilidade também tendem a assumir funções cada vez mais conectadas à agenda climática.
A transição verde redefinirá, ainda, o repertório exigido de profissionais em diferentes setores, e é nesse contexto que ganham relevância as chamadas “habilidades verdes”. O estudo “Tendências de Empregabilidade 2026”, produzido pelo IEL Paraná em parceria com o Observatório Sistema Fiep, identifica a “Economia das Habilidades Verdes” como uma das forças que estão reorganizando o mundo do trabalho. A pesquisa aponta que a emergência climática, os acordos internacionais e a busca por competitividade vêm aumentando a demanda por profissionais capazes de combinar visão sistêmica, fluência tecnológica e consciência ecológica. Com isso, empresas, instituições de ensino e governos passam a enfrentar um desafio comum, que é a formação e requalificação de trabalhadores para uma economia em que sustentabilidade, inovação e desempenho produtivo caminham juntos.
Esse desafio se torna ainda mais crítico porque a velocidade da transição verde não tem sido acompanhada, na mesma proporção, pela formação de profissionais qualificados. O estudo “LinkedIn Green Skills Report 2025” aponta que, entre 2021 e 2025, as contratações para funções “verdes” cresceram quase duas vezes mais rápido do que o número de profissionais que declaravam ter habilidades “verdes”. Essa diferença sinaliza uma oportunidade, mas também um risco: sem investimento em capacitação, a economia de baixo carbono pode resultar na abertura de novas vagas sem que se encontrem profissionais preparados para ocupá-las.
A redução do descompasso entre a demanda e a oferta de profissionais com habilidades verdes exige atuação em várias frentes. Nas empresas, por exemplo, sustentabilidade e qualificação verde precisam deixar de ser temas restritos a áreas especializadas e passar a integrar a estratégia de operação, inovação e gestão de pessoas. Já nas instituições de ensino, uma das principais necessidades será a atualização de currículos com temas como economia circular, tecnologias limpas, análise de dados ambientais e gestão de riscos climáticos. Ao poder público, finalmente, cabe criar condições para que a transição verde avance com incentivos, financiamento e políticas de capacitação contundentes. Nesse sentido, instrumentos como a Taxonomia Sustentável Brasileira, a Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica podem orientar investimentos, induzir setores produtivos e apoiar a formação de cadeias associadas à economia de baixo carbono.
A transformação verde aplicada ao mercado de trabalho, portanto, não diz respeito apenas à criação de novas vagas. Ela redefine o que as empresas esperam dos profissionais, o que as escolas precisam ensinar e como governos devem planejar o desenvolvimento econômico e territorial. Em um cenário de mudanças rápidas, o trabalho verde se consolida como um dos pilares da nova economia. Preparar pessoas para essa transição será essencial para ampliar a empregabilidade, fortalecer cadeias produtivas e garantir que a resposta à emergência climática também gere inclusão, inovação e desenvolvimento sustentável.
Para mais conteúdo relacionado às mudanças climáticas, acesse o Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba neste link.
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Para citar este artigo:
OBSERVATÓRIO SISTEMA FIEP / PAINEL DE INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA (PIMCC). Empregos verdes - Como a emergência climática está redefinindo carreiras. Disponível em: https://paineldemudancasclimaticas.org.br/noticia/empregos-verdes-2026. Acesso em: dd/mm/aaaa.
#MudançasClimáticas #ClimateChange #EmpregosVerdes #GreenJobs
Fontes consultadas
ALVES, T./RÁDIO AGÊNCIA. Estudo revela que o Brasil pode criar 7 milhões de empregos verdes. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/economia/audio/2025-10/estudo-revela-que-o-brasil-pode-criar-7-milhoes-de-empregos-verdes. Acesso em: 30 abr. 2026.
CLIMAINFO. Energia solar e bioenergia puxam crescimento de empregos verdes no Brasil. Disponível em: https://climainfo.org.br/2026/01/15/energia-solar-e-bioenergia-puxam-crescimento-de-empregos-verdes-no-brasil/. Acesso em: 30 abr. 2026.
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