A Nova Realidade do Esporte
Como as Mudanças Climáticas Afetam as Competições Esportivas
Em um minuto:
- Eventos extremos afetam as competições esportivas: na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025, pelo menos seis partidas foram interrompidas por causa do calor excessivo, chuvas torrenciais e tempestades.
- Atletas expostos a estresse térmico e a riscos climáticos: na Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, os jogadores poderão estar expostos a temperaturas elevadas. Estudo da World Weather Attribution indica que cerca de um quarto dos jogos pode ultrapassar limites térmicos considerados seguros, enquanto análise da Climate Central aponta que 97 das 104 partidas têm probabilidade de registrar temperaturas acima de 28 °C, patamar associado à queda de desempenho dos atletas. O cenário também eleva riscos à saúde de torcedores e pressiona protocolos de segurança, adaptação e gestão climática em grandes eventos esportivos.
- Futebol sob risco crescente: um estudo aponta que 78% dos clubes das Séries A, B e C do Brasil estão em áreas vulneráveis a eventos climáticos severos, como enchentes e incêndios florestais.
- Outros esportes e competições também são afetados: as Olimpíadas de Inverno recorrem à neve artificial por falta de neve natural, e os organizadores dos Jogos de Verão precisam lidar com o calor extremo, que impacta a saúde e o desempenho dos atletas.
- Impactos econômicos e operacionais: atrasos nas partidas afetam transmissões, contratos, logística e experiência do público. Organizações esportivas já discutem mudanças no calendário das competições e novos protocolos de segurança climática.
Quando a Copa do Mundo de Clubes da FIFA começou nos Estados Unidos em junho de 2025, a previsão indicava a possibilidade de calor extremo durante os jogos, mas o que se viu foi mais do que isso: tempestades, raios, chuvas torrenciais e partidas suspensas por até duas horas. Em pelo menos seis jogos, as condições climáticas interferiram na programação do evento, com impactos para os jogadores, torcedores e para toda a logística do torneio.
Um exemplo ilustrativo dos problemas enfrentados ocorreu durante a partida entre o clube brasileiro Palmeiras e o egípcio Al Ahly, em Nova Jersey. Além dos 30 °C registrados, os atletas precisaram interromper a partida por 46 minutos devido a tempestades. Os jogadores também precisaram fazer uma pausa para se refrescar em função do forte calor.
Durante o jogo das oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025, entre Benfica e Chelsea, no Estádio Bank of America, em Charlotte, Carolina do Norte, a tela informava sobre o atraso na partida por causa das condições climáticas adversas. FONTE: Forbes/Buda Mendes/Getty Images
Muitos dos jogadores que estiveram em campo na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025 estão representando seus países na Copa do Mundo 2026, que também ocorre sob alerta para riscos climáticos. Estudos recentes indicam que parte expressiva das partidas poderá ocorrer sob condições de calor capazes de afetar o desempenho dos atletas e a segurança do público. A World Weather Attribution aponta que cerca de um quarto dos jogos pode ser disputado acima de limites térmicos considerados seguros, enquanto análise da Climate Central indica que 97 das 104 partidas têm probabilidade de registrar temperaturas acima de 28 °C, patamar associado à queda de desempenho em campo.
As interrupções de jogos durante a Copa do Mundo de Clubes de 2025 e as previsões para a Copa do Mundo 2026 indicam que o clima pode estar se tornando um dos protagonistas das competições esportivas. À medida que a emergência climática avança, eventos extremos, como ondas de calor e fortes chuvas, tendem a se tornar mais frequentes e intensos. E, por isso, o planejamento de eventos esportivos de grande porte passa a exigir novas abordagens.
No Brasil, onde o futebol é uma das paixões nacionais, o impacto das mudanças climáticas também se torna cada vez mais evidente. Um relatório da consultoria ERM e do movimento Terra FC apontou que 8 em cada 10 clubes das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro estão sediados em municípios vulneráveis a eventos climáticos severos nos próximos 25 anos.
O Rio Grande do Sul viveu um exemplo disso em 2024, quando inundações culminaram no adiamento de partidas e na realocação de jogos para estádios distantes das torcidas. A tendência é que esse tipo de evento se intensifique ao longo das próximas décadas, interferindo na regularidade das competições, no desempenho dos times e na segurança dos atletas e torcedores.
Mas não é apenas o futebol que sofre com os efeitos do clima. As Olimpíadas de Inverno de 2022, em Pequim, também enfrentaram dificuldades: a falta de neve natural associada à escassez hídrica fez com que os organizadores consumissem ao menos 49 milhões de galões de água para produzir neve artificial. Dentro de algumas décadas, é possível que poucas das antigas cidades-sede terão condições climáticas adequadas para sediar competições de esportes de inverno.
Já nas Olimpíadas de Paris, em 2024, o desafio foi o calor extremo. As competições ocorreram em meio a um dos verões mais quentes da história da capital francesa, e as soluções encontradas incluíram jogos no fim da tarde e à noite. Em alguns dias, os atletas e o público sofreram com o calor de mais de 37 °C, sob risco de desidratação e queda de performance.
As implicações para a saúde vão além do desconforto: as elevadas temperaturas podem afetar a função cardiovascular, reduzir a eficiência muscular e comprometer o raciocínio e o desempenho dos atletas. O corpo de um atleta em atividade físico pode produzir 15 a 20 vezes mais calor que o de uma pessoa em repouso. Sem condições adequadas de resfriamento, o risco de prejuízo à saúde é grande.
A emergência climática também tem um custo financeiro. Atrasos causados por tempestades ou outros fenômenos climáticos, como os registrados na Copa do Mundo de Clubes, afetam a transmissão para audiências globais, desorganizam calendários e reduzem o tempo de exibição das marcas patrocinadoras. Além disso, os organizadores podem precisar arcar com custos extras para garantir a segurança dos espectadores diante de eventos climáticos inesperados. Do ponto de vista da experiência do torcedor, longos atrasos também podem levar à evasão do público.
Para se ter ideia, somente considerando os impactos no futebol brasileiro em função do risco de enchentes, os custos totais estimados para reparo de infraestrutura, logística e perda de receita são projetados em R$ 2,91 bilhões nos próximos 25 anos, de acordo com o estudo “O Maior Adversário do Futebol: Impacto em Série”. Ainda de acordo com o relatório, com os riscos climáticos, os 60 times das Séries A, B e C poderiam perder R$ 68,8 bilhões em 25 anos em valor total.
Diante desse cenário, a pergunta não é mais se o clima vai afetar as competições, mas como o esporte vai responder às ameaças crescentes. Reavaliar calendários, criar protocolos de adiamento e cancelamento e incorporar dados climáticos aos planos estratégicos é essencial. Se o clima está mudando as regras do jogo, é hora de o esporte se adaptar para continuar em campo.
Texto publicado em 7 jul. 2025 e atualizado em 15 jun. 2026.
Para mais conteúdo relacionado às mudanças climáticas, acesse o Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba neste link.
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Para citar este artigo:
OBSERVATÓRIO SISTEMA FIEP / PAINEL DE INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA (PIMCC). A Nova Realidade do Esporte: Como as Mudanças Climáticas Afetam as Competições Esportivas. Disponível em: https://paineldemudancasclimaticas.org.br/noticia/competicoes-esporte-mudancas-climaticas. Acesso em: dd/mm/aaaa.
#MudançasClimáticas #ClimateChange #MundialDeClubes #mundialdeclubes2025 #Esporte #EmergênciaClimática #Futebol #Olimpíadas #Copa2026 #ClimaExtremo
Fontes consultadas
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