Super El Niño coloca Brasil em alerta para extremos de chuva, seca e calor

Autor
Observatório Sistema Fiep - 01/06/2026

Em um minuto:

  • O El Niño tem formação provável a partir de maio de 2026 e pode influenciar o clima brasileiro no segundo semestre, alterando padrões de chuva, vento e temperatura. A expressão “Super El Niño” vem sendo utilizada porque parte dos modelos indica a possibilidade de um evento forte ou muito forte, mas a intensidade e a dimensão dos impactos ainda não estão definidas; por isso, os efeitos devem ser tratados como riscos a serem antecipados e monitorados, não como certezas.
  • No Brasil, os principais riscos envolvem chuva acima da média no Sul, seca no Nordeste e em parte da Amazônia e calor mais intenso no Centro-Oeste e no Sudeste. Esses eventos extremos podem favorecer a ocorrência de enchentes, deslizamentos, estiagens e ondas de calor, com efeitos sobre a saúde pública, a agricultura, o abastecimento de água, a geração de energia e a infraestrutura urbana.

O Brasil deve atravessar o segundo semestre do ano sob provável influência do El Niño, fenômeno climático-oceânico que altera a circulação atmosférica e modifica o regime de chuvas em várias regiões do planeta. Segundo projeções da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a formação do fenômeno é provável a partir de maio de 2026, com tendência de consolidação ao longo dos meses seguintes.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico tropical ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento interfere na formação de nuvens, altera padrões de vento, redistribui chuvas e afeta temperaturas no mundo todo. Embora seja intensificado pelas mudanças climáticas, o fenômeno faz parte de um ciclo natural, o El Niño–Oscilação Sul (ENOS), que também inclui a La Niña, fase oposta marcada pelo resfriamento dessa mesma região do oceano.

Neste ano, a expressão “Super El Niño” vem sendo usada porque parte dos modelos indica a possibilidade de ocorrência de um evento forte ou muito forte. Ainda assim, meteorologistas alertam que, embora a formação do El Niño seja quase certa, ainda não é possível afirmar com precisão qual será a sua intensidade nem a dimensão de seus impactos. Por isso, seus potenciais efeitos devem ser tratados, por ora, como riscos a serem antecipados e monitorados, não como certezas.

No Brasil, uma das consequências mais prováveis do Super El Niño será o aumento das chuvas na Região Sul. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem registrar maior risco de temporais, enchentes, inundações e deslizamentos. Em Santa Catarina, inclusive, o governo estadual já se prepara para os eventuais desdobramentos, tendo decretado alerta climático por 180 dias para ampliar o monitoramento climático, mobilizar a Defesa Civil e preparar respostas rápidas em áreas vulneráveis a eventos extremos.

Por outro lado, o efeito tende a ser oposto no Nordeste e em parte da Amazônia, onde cresce o risco de redução das chuvas, seca, pressão sobre reservatórios e dificuldades no abastecimento de água. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência é de temperaturas acima da média e maior frequência de ondas de calor.

Os impactos do El Niño decorrem da alteração que ele provoca nos padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica. Ao aumentar a probabilidade de eventos extremos, como temporais, inundações, estiagens prolongadas e ondas de calor, o fenômeno pode afetar várias esferas, como saúde pública, agricultura, abastecimento de água, geração de energia e infraestrutura urbana. Seus efeitos também variam conforme a região, pois o excesso de chuva tende a aumentar os riscos de alagamentos, deslizamentos e doenças associadas à água parada, enquanto a redução das precipitações pode comprometer reservatórios, lavouras, navegação fluvial e disponibilidade hídrica.

O El Niño também funciona como um fator extra de pressão sobre sistemas que já são sensíveis à variabilidade climática. No campo, por exemplo, mudanças no calendário e na distribuição das chuvas podem prejudicar as atividades de plantio e colheita. Na saúde, o calor mais intenso e o tempo úmido associados à atuação do El Niño em algumas regiões podem favorecer a circulação de vetores de doenças, como o mosquito da dengue, além de agravar condições respiratórias e cardiovasculares. No setor elétrico, as temperaturas mais altas estão relacionadas ao aumento do consumo de energia em função do maior uso de sistemas de refrigeração e ventilação, enquanto a seca em bacias hidrográficas pode reduzir a geração hidrelétrica e exigir acionamento complementar de termelétricas, com possível impacto nas tarifas que chegam ao consumidor.

Embora o El Niño faça parte da variabilidade natural do clima, seus efeitos passam a ocorrer juntamente com aqueles decorrentes do aquecimento global. As mudanças climáticas não originam o fenômeno, mas podem ampliar seus impactos ao provocar a elevação da temperatura média dos oceanos e da atmosfera, aumentar a evaporação e afetar o ciclo hidrológico. Com isso, o El Niño resulta no maior potencial para extremos de chuva, seca e calor ao interagir com sistemas atmosféricos regionais. Nesse contexto, a preparação deve envolver o monitoramento climático contínuo e a elaboração de planos de contingência e adaptação urbana, especialmente em áreas expostas a enchentes, deslizamentos, escassez hídrica e ondas de calor.

 

Para mais conteúdo relacionado às mudanças climáticas, acesse o Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba neste link.

Para receber e-mails com as notícias, cadastre-se aqui.

 

Para citar este artigo:

OBSERVATÓRIO SISTEMA FIEP / PAINEL DE INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA (PIMCC). Super El Niño coloca Brasil em alerta para extremos de chuva, seca e calor. Disponível em: https://paineldemudancasclimaticas.org.br/noticia/super-el-nino-2026. Acesso em: dd/mm/aaaa.

 

#MudançasClimáticas #ClimateChange #ElNiño #SuperElNiño #EventosExtremos

 

Fontes consultadas

ALMEIDA, L./UOL. Chuvas no Sul, seca no Nordeste: o que esperar do Super El Niño no Brasil. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/05/25/chuvas-calor-e-seca-o-que-esperar-do-super-el-nino-no-brasil.ghtm. Acesso em: 25 mai. 2026.

ALVALÁ, R. C. dos S.; MARENGO, J. A.; SELUCHI, M./NEXO. O que é evidência e o que é especulação sobre o El Niño. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/05/24/super-el-nino-2026-quando-comeca-brasil-impacto. Acesso em: 25 mai. 2026.

CLIMA INFO. El Niño pode elevar casos de dengue no Brasil, principalmente nos Sul e Sudeste. Disponível em: https://climainfo.org.br/2026/05/19/el-nino-pode-elevar-casos-de-dengue-no-brasil-principalmente-nos-sul-e-sudeste/. Acesso em: 25 mai. 2026.

CLIMA INFO. El Niño pode encarecer contas de luz e pressionar inflação no Brasil. Disponível em: https://climainfo.org.br/2026/05/18/el-nino-pode-encarecer-contas-de-luz-e-pressionar-inflacao-no-brasil/. Acesso em: 25 mai. 2026.

CNN BRASIL. El Niño vai impactar produção agrícola global, alerta especialista. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/el-nino-vai-impactar-producao-agricola-global-alerta-especialista/. Acesso em: 25 mai. 2026.

ESTADÃO. Governo de Santa Catarina decreta alerta climático por 180 dias devido ao El Niño. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/05/19/governo-de-santa-catarina-decreta-alerta-climatico-por-180-dias-devido-ao-el-nino.htm. Acesso em: 25 mai. 2026.

TOYAMA, L./CNN BRASIL. "Super El Niño": como fenômeno extremo pode impactar saúde dos brasileiros. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/super-el-nino-como-fenomeno-extremo-pode-impactar-saude-dos-brasileiros/. Acesso em: 25 mai. 2026.

YANO, C./GAZETA DO POVO. O Super El Niño que matou 50 milhões – e o que esperar do que vem aí. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/super-el-nino-1877-1878/. Acesso em: 25 mai. 2026.


Mais Notícias