Mobilidade urbana em Curitiba
Bom desempenho do transporte coletivo contrasta com a elevada dependência de veículos individuais
Em um minuto:
- Em Curitiba, 27% dos moradores utilizam ônibus para ir ao trabalho, índice acima da média nacional, de 21%. Além disso, a cidade foi classificada como a segunda capital mais eficiente do país em deslocamentos por transporte coletivo. Ainda assim, Curitiba lidera o ranking de tempo perdido no trânsito entre as grandes cidades brasileiras, com 135 horas anuais nos horários de pico.
- A elevada dependência do transporte individual pressiona a mobilidade e a agenda climática: Curitiba já ultrapassou 1,8 milhão de veículos, aproxima-se da marca de um veículo por habitante e tem quase 76% da frota composta por automóveis e motocicletas. Em 2023, a maior parte dos veículos ainda dependia de fontes fósseis ou combinações que as incluem, enquanto os elétricos permaneciam com participação reduzida.
Curitiba é reconhecida nacionalmente pela qualidade do transporte coletivo, mas enfrenta um paradoxo urbano: mesmo com um sistema de ônibus bem avaliado, a cidade lidera o ranking de tempo perdido no trânsito entre as capitais brasileiras. Segundo estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), divulgado pelo Bem Paraná, os curitibanos perdem, em média, 135 horas por ano em deslocamentos nos horários de pico, número superior ao registrado em São Paulo, Recife e Belo Horizonte.
O dado sugere que o transporte coletivo eficiente é condição necessária, mas não suficiente para resolver os desafios da mobilidade urbana. De acordo com informações do Censo, 27% dos curitibanos utilizam o sistema de ônibus para ir ao trabalho, índice acima da média nacional, de 21%. Além disso, estudo do Instituto Cidades Responsivas classificou Curitiba como a segunda capital mais eficiente do país para deslocamentos por transporte público. Ainda assim, a frota individual segue em expansão, tendo ultrapassado 1,8 milhão de veículos e se aproximando da proporção de um veículo por habitante, uma das mais altas do Brasil. Como a frota cresce em ritmo superior ao da população, a expectativa é que, em breve, a cidade tenha mais carros e motos do que moradores.
A predominância do transporte individual ajuda a explicar parte da pressão sobre as vias urbanas. Automóveis e motocicletas respondem por quase 76% da frota da capital paranaense. Apenas os automóveis somam mais de 1 milhão de unidades, o equivalente a cerca de 60% de todos os veículos registrados na cidade. Com uma frota numerosa e forte presença de veículos motorizados de uso individual, os impactos não se limitam aos congestionamentos e à lentidão no trânsito. O uso intensivo de carros e motos tende a aumentar o consumo de combustíveis, as emissões de gases de efeito estufa, a poluição local e a demanda por infraestrutura viária.
Os dados apresentados no Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba (PIMCC) ajudam a dimensionar a dependência da cidade em relação aos combustíveis fósseis. Em 2023, a maior parte da frota de transporte individual ainda era movida por combustíveis fósseis ou por combinações que os incluem, com destaque para veículos álcool/gasolina, gasolina e diesel. Embora os veículos elétricos já despontem na base de dados, sua participação ainda é reduzida diante do volume total da frota.
Evolução da frota de transporte individual em Curitiba por tipo de combustível, com predominância de veículos movidos a álcool/gasolina, gasolina e diesel entre 2013 e 2023. IMAGEM: Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba (PIMCC).
Para avançar na transição climática, o principal desafio consiste em reduzir a dependência cotidiana do automóvel sem perder os avanços já consolidados no transporte coletivo. Para isso, a mobilidade urbana pode combinar eficiência operacional, menor emissão por passageiro transportado e maior previsibilidade nos deslocamentos. Medidas como a renovação tecnológica da frota, a priorização do transporte de maior capacidade, a qualificação de calçadas e ciclovias, o incentivo à mobilidade ativa e a aproximação entre moradia, trabalho e serviços ajudam a diminuir a pressão sobre o sistema viário e a melhorar a experiência de deslocamento da população. Em uma cidade com frota próxima de um veículo por habitante, tornar as alternativas ao carro mais eficientes, acessíveis e integradas à rotina urbana é parte central do desafio climático da mobilidade.
Para mais conteúdo relacionado às mudanças climáticas, acesse o Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba neste link.
Para receber e-mails com as notícias, cadastre-se aqui.
Para citar este artigo:
OBSERVATÓRIO SISTEMA FIEP / PAINEL DE INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA (PIMCC). Mobilidade urbana em Curitiba - Bom desempenho do transporte coletivo contrasta com a elevada dependência de veículos individuais. Disponível em: https://paineldemudancasclimaticas.org.br/noticia/mobilidade-urbana-curitiba. Acesso em: dd/mm/aaaa.
#MudançasClimáticas #ClimateChange #Curitiba #MobilidadeUrbana #TransporteColetivo #TransportePúblico #MobilidadeSustentável #CidadesSustentáveis #PlanejamentoUrbano
Fonte consultada
RITZ, J./BEM PARANÁ. Curitiba lidera ranking de tempo perdido no trânsito; até São Paulo está melhor. Disponível em: https://www.bemparana.com.br/noticias/parana/curitiba-lidera-ranking-de-tempo-perdido-no-transito-com-135-horas-por-ano/. Acesso em: 15 jun. 2026.